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Goleiro do polo admite encontro, mas nega abuso, diz supervisor na Rússia

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Acusado pela polícia canadense de abuso sexual, Thyê Mattos admitiu à comissão técnica da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos ter se relacionado com a suposta vítima durante o Pan de Toronto. O goleiro da seleção brasileira de polo aquático, no entanto, afirmou ser inocente e que a relação teria sido consensual. Em contato com o GloboEsporte.com, Ricardo Cabral, supervisor técnico da equipe, disse que o atleta, que participou normalmente do treino desta sexta-feira, em Kazan, está muito abalado com as acusações. A delegação está na cidade russa para disputar o Mundial de esportes aquáticos 2015, que começou nesta sexta. A identidade da vítima foi preservada, e a ordem de prisão contra o brasileiro já foi emitida.


– Nós fomos informados, acabamos de saber. Todo mundo foi pego de surpresa. O atleta nega. Nós estamos tomando as devidas providências. O próprio Comitê Olímpico Brasileiro está com advogados em Toronto. Ele está muito abalado com a situação. Ele afirma que não foi isso. Nós estamos preocupados e é mais seguro para ele neste momento não ficar exposto – afirmou o dirigente.

– Ele falou que realmente esteve com a menina, mas que foi consensual. Ele está surpreso, muito abalado. Está muito preocupado, não sabe o que pode acontecer. Ele vai entrar em contato com a família para tranquilizar a todos. É uma coisa muito injusta. Ele está sendo investigado, já estão acusando ele. É uma coisa bem ingrata. Vai ter de ser forte. É ruim, ruim para o grupo todo – completou.

Segundo Cabral, Thyê só foi informado sobre o caso durante a coletiva de imprensa realizada pela polícia canadense nesta sexta-feira. Por conta do abalo, o atleta deve receber auxílio do médico da seleção. O supervisor afirma que a delegação brasileira cogita o retorno do jogador ao Brasil, mas que ainda vai analisar o melhor caminho a seguir.

– Vamos retornar ele para o Brasil. Ele está muito abalado psicologicamente. Ele desabou. Diz que não fez nada disso. A gente acredita até então. Então, vamos ver o desenrolar disso. Todo mundo foi pego de surpreso, inclusive ele.

– A gente está discutindo isso, vendo o que é melhor. No momento, não tem condição de sair daqui, enfrentar um voo longo sozinho. A gente não sabe o que pode acontecer. Vamos ver o que vamos fazer, na medida que ele diz que não fez. Nossa obrigação é acreditar nele. Vamos ver o que fazemos para preservá-lo até que se esclareça a situação. Não sabemos se é o momento de levá-lo para o Brasil – afirmou.

Cabral afirma que o Comitê Olímpico do Brasil já está tomando as providências jurídicas necessárias para atender ao caso.

– O Comitê Olímpico Brasileiro está com departamento jurídico internacional lá acompanhando o caso. Vamos ver como vai se desenrolar. Agora, vamos ver. Isso aí agora é caso policial, com o advogado. É muito chato que aconteceu, mas... – afirmou.

Thyê foi acusado de ter abusado de uma mulher de 22 anos em sua casa, no último dia 16, quinta-feira, um dia depois da derrota brasileira para os Estados Unidos na final dos Jogos Pan-Americanos.

Segundo Joanna Beaven-Desjardins, inspetora de crimes sexuais da polícia de Toronto, Thyê, acompanhado de um companheiro de seleção, teria ido à casa da vítima no dia 16. O horário não foi informado, mas o crime teria ocorrido durante a madrugada ou pela manhã. Lá, teria se aproveitado que a mulher estava dormindo e abusado sexualmente da vítima. Na sequência, fugiu do local. A inspetora não quis dar mais detalhes do caso.

Thyê não estaria usando o uniforme da seleção no momento do crime. A vítima, no entanto, teria reconhecido o goleiro e feito a queixa. Segundo a inspetora, a polícia tem 100% de certeza sobre o envolvimento do atleta no caso.

Joanna Beaven-Desjardins já entrou em contato com as autoridades brasileiras e afirmou contar com o apoio delas para a extradição do jogador. Ao saber que ele está em Kazan, disse que vai se informar para avaliar uma possível prisão no local. Caso seja extraditado, Thyê será levado a julgamento com júri, com pena máxima de 15 anos.

Após o fim do Pan, Thyê seguiu com a delegação brasileira para Kazan, onde vai ser disputado o Mundial de Esportes Aquáticos. O goleiro, de 27 anos, nasceu no Rio de Janeiro e atualmente defende o Clube Paulistano, de São Paulo.

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