Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um projeto que faz a projeção futura de casos, mortes e internações por Covid-19.

Batizado de “Acompanhamento de curvas de casos, mortes e internações por Covid-19: modelagem matemática, projeção futura e previsão de cenários”, a pesquisa conta com a participação de três docentes e um pós-doutorando da UFSCar e um professor da USP.

Como funciona?

O projeto usa dados públicos de média móvel de 14 dias de casos, mortes, internações em enfermaria e UTI, disponibilizados pelo Governo Federal e pelas Secretarias Estaduais de Saúde. A partir daí, é feita uma projeção para os próximos 20 ou 30 dias.

Segundo os pesquisadores, o projeto, que ainda está em desenvolvimento, deu certo com a junção da matemática, computação e medicina, cada uma atuando de forma diferente.

    "A pesquisa está em fase de execução de testes exaustivos para verificar a confiabilidade estatística do modelo. Executamos vários testes e tivemos resultados promissores, com precisão frequente de erro de menos de 2% para 14 dias e já tivemos casos de projeção de 25 dias com erro menor do que 7%. Um erro de até 15% é aceitável para esse tipo de problema. Para projeções de 30 dias, temos alcançado erro de 10%", afirmou o docente do departamento de computação, Ricardo Ciferri. .

Fases

O projeto foi desenvolvido por partes e, atualmente, está na terceira fase.

    Fase 1: A primeira fase objetivou apenas representar as curvas de casos já ocorridas por meio de equações matemáticas. Pelo fato da pandemia de Covid ser composta por múltiplas ondas sucessivas e com sobreposição, diferente de outras pandemias e epidemias, a solução proposta foi a partir da composição de várias ondas, cada qual representada por uma função logística generalizada. "A primeira fase do projeto foi desenvolvida com sucesso e conseguimos representar com muito boa precisão as curvas de casos por meio de ondas, cada qual representada por uma função logística generalizada", avaliou Ciferri.
    2ª fase: Nesta etapa, o projeto teve como objetivo fazer a projeção futura para os próximos 30 dias.
    3ª fase: Neste momento, o projeto está na terceira fase, que consiste em fazer previsões com base em cenários distintos, como ‘se aumentar o percentual de vacinação de 9 para 90%, o que acontece com a estimativa futura?’.
    Resultados: Os resultados são divulgados por meio de relatórios emitidos semanalmente pela Associação de Docentes da UFSCar (ADUFSCar).

Quais as projeções?

Segundo Ciferri, as projeções para os próximos dias não são nada boas.

"Segundo o nosso modelo estamos na quinta onda com pico de casos previstos entre 6 de abril e 10 de abril. O pico de mortes tem um deslocamento de 14 dias e, atualmente, está no meio da curva ascendente. Porém, com o feriado da Páscoa, provavelmente teremos a sexta onda e, com isso, a pandemia pode ter novamente duas ondas sobrepostas em momentos distintos - uma onda terminando e outra começando- cuja soma dos efeitos pode ser devastadora", concluiu o pesquisador.

EPTV