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USP de Ribeirão Preto identifica molécula que reduz tumor e evita metástase do câncer de ovário

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Cientistas brasileiros e norte-americanos identificaram uma molécula capaz de reduzir o tamanho do tumor e bloquear o processo de metástase do câncer de ovário. Os testes ainda são realizados em animais e os pesquisadores estimam que o tratamento esteja disponível para humanos em até 20 anos.

O estudo foi realizado no Centro de Terapia Celular do Hemocentro da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, com a colaboração do Laboratório de Células-Tronco Musculares e Regulação de Genes dos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos.

Peça-chave da pesquisa, a molécula de RNA conhecida como MIR-450A apresenta resultado insignificante em tumores. Mas, testes in vitro e em camundongos apontaram que, quando superexpressa – em tamanho aumentado – tem efeito positivo para tratar o câncer de ovário.

“Durante os estudos, a gente identificou que essa molécula, que é um RNA pequeno, um micro RNA, tem características de suprimir um tumor”, explica Wilson Araújo da Silva Júnior, professor do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da USP.

Silva Júnior afirma que a molécula MIR-450A, presente no corpo humano e que pode ser reproduzida em laboratório, é capaz de silenciar genes envolvidos na migração celular e no metabolismo do tumor. Isso reduz o tamanho do tumor e bloqueia o processo de metástase.

“Essa molécula está fazendo parte de uma revolução maior, que é a medicina genômica. Quer dizer, a gente só conseguiu identificar essa molécula, porque temos ferramentas de análises do genoma que antigamente não conseguiam investigar”, diz o pesquisador.

Coordenador do Centro de Medicina Genômica do Hospital das Clínicas e pesquisador do Centro de Terapia Celular do Hemocentro, ambos da USP, Silva Júnior diz pesquisadores em todo o mundo estão identificando moléculas capazes de combater o câncer.

Recentemente, cientistas da USP também descobriram, pela primeira vez, que a molécula chamada microRNA-367 pode reduzir a agressividade de tumores embrionários do sistema nervoso central, responsáveis por uma espécie de câncer mais comum em crianças.

“A revolução já está ocorrendo. Se você olhar na literatura, vai ver que vários grupos estão identificando. O que a gente vai ter para combater o tumor é exatamente várias moléculas e várias descobertas atuando no combate ao câncer”, afirma.

Agora, os pesquisadores esperam desenvolver um medicamento utilizando a molécula MIR-450A que possa auxiliar no combate ao câncer de ovário, uma vez que essa doença, geralmente, só é identificada em estágio avançado.

“É lógico que isso demora um tempo muito grande. Até chegar em um produto, isso pode levar 10 ou 20 anos, mas, o mais importante, é que conseguimos identificar moléculas que possam ser usadas como terapia, não só para o tumor, mas para outras doenças”, conclui.

G1

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