Uma representante comercial, de 63 anos, viu o momento em que quatro das sete vítimas foram atingidas por um raio na praia da Vila Caiçara, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Entre elas, a idosa, de 68 anos, que morreu após a descarga elétrica. Ao g1, nesta segunda-feira (22), Marisa Pincerato disse ter assistido a fatalidade pela janela de casa. "Fiquei em choque", disse ela.

As sete vítimas estavam na faixa da areia, no começo da tarde de sábado (20), quando começou um temporal. Chovia muito e uma tempestade elétrica intensa cobria a Baixada Santista, de acordo com dados em tempo real do Elat - Grupo de Eletricidade Atmosférica.

"Foi bem assustador. Nunca tinha visto nada parecido. Uma cena que nunca mais vou esquecer. Foi tudo rápido, nunca vi um raio daquele jeito", afirmou Marisa.

A testemunha contou ter visto o raio e a queda de quatro pessoas. "Vi que a coisa tinha sido séria porque uma das pessoas não se mexia, ficou caída". Tratava-se da idosa, de 68 anos, que ainda recebeu massagem cardiopulmonar de um guarda-vidas, antes de ser levada à UPA Samambaia.

"É uma sensação muito ruim, nunca tinha passado por nada parecido. É algo muito triste". A representante comercial contou que banhistas se aproximaram para auxiliar as outras três vítimas. "Levaram uns minutos para se recompor. [...] os banhistas foram tirando [os três] para longe da água".

Por morar em frente à praia, Marisa diz que é comum os banhistas esperarem o tempo mudar e a chuva chegar para deixar a praia. Depois do que viu, ela faz um pedido: "Gostaria que as pessoas tivessem consciência e ficassem atentas à força da natureza. Ao perceberem uma situação dessa, [devem] já procurar um local seguro, e sem esperar a chuva chegar".

Uma morte e seis feridos

Uma mulher de 68 anos morreu após ser atingida por um raio na praia da Vila Caiçara, em Praia Grande. Imagens obtidas pelo g1 mostram um guarda-vidas fazendo massagem cardiopulmonar nela, que ainda chegou a ser levada à UPA do Samambaia, onde foi constatada a morte. Chovia muito no momento da descarga elétrica.

A mãe de uma das vítimas, de 16 anos, contou à equipe de reportagem o que conversou com a filha, que está hospitalizada, mas consciente. A adolescente Millena Monteiro recebeu alta hospitalar no domingo (21), e em vídeo enviado ao g1, afirmou sentir dores, mas que está se recuperando em casa.

Situação comum

Acidentes com raios são comuns na região durante a temporada de verão. Segundo o 1° Tenente Hélicon Souza, do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), as tempestades de verão são perigosas e ocasionam fatalidades nas praias do litoral paulista todos os anos. "O tempo fechou, a praia acabou. Todo mundo deve encerrar as atividades e ir para casa".

Souza afirmou que a tempestade chega de maneira rápida, mas não instantânea, permitindo que os banhistas a percebam previamente. "Dá para perceber que o tempo está fechando. As nuvens ficam mais escuras".

Saiba como evitar acidentes com raios

De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), para evitar acidentes com raios, o ideal é não sair de casa ou permanecer na rua durante as tempestades, a não ser que seja necessário. Neste caso, procure se abrigar nos seguintes lugares:

Carros, ônibus ou outros veículos metálicos não conversíveis, estacionados longe de árvores ou linhas de energia elétrica;

Moradias ou prédios, de preferência que possuam proteção contra raios;

Abrigos subterrâneos, como metrôs ou túneis, em grandes construções com estruturas metálicas, ou em barcos ou navios metálicos fechados.

Caso esteja dentro de casa, evite usar qualquer equipamento ligado à rede elétrica, como o celular. O ideal é ficar longe de tomadas, canos, janelas e portas metálicas. Se estiver na rua, não segure objetos metálicos longos, como varas de pesca e tripés e não empine pipas ou aeromodelos com fio.

Além disso, tente não ir em locais que são extremamente perigosos durante uma tempestade, como: Topos de morros, cordilheiras ou prédios, áreas abertas e próximas de cercas de arame, varais metálicos, linhas aéreas, trilhos e árvores isoladas.

Se estiver em um local sem um abrigo próximo e sentir que os pelos estão arrepiados ou que a pele começou a coçar, fique atento. Isso pode indicar a proximidade de um raio que está prestes a cair. Neste caso, ajoelhe-se e curve-se para frente, colocando suas mãos nos joelhos e sua cabeça entre eles. Não fique deitado.

G1