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Segundo denúncia, condições colocavam em risco saúde dos 23 idosos (Foto: Ronaldo Gomes/EPTV)

A Polícia Civil de Ribeirão Preto interditou nesta segunda-feira (16) uma casa de repouso para idosos, no bairro Ribeirânia, na zona lesta da cidade. De acordo com o delegado Geraldo Dias, o asilo Jesus Redentor funcionava irregularmente há um ano e era totalmente inadequado para prestar atendentimento aos 23 moradores, caracterizando uma situação de maus-tratos.
Uma enfermeira da clínica negou a existência de irregularidades no atendimento aos idosos e afirmou que a casa necessita apenas de reformas estruturais. A proprietária da instituição será indiciada pelo crime de maus-tratos e pode pegar até três anos de prisão. Os idosos foram levados para casa de familiares.

A denúncia de irregularidades partiu da Vigilância Sanitária após vistoria no local. O órgão, então, teria notificado a dona da propriedade sobre a interdição e exigido que todos os 23 idosos fossem retirados da instituição no prazo de uma semana – terminado nesta segunda-feira.

“Não havia alvará de funcionamento como casa de repouso ou clínica de repouso destinada ao tratamento de idosos, além de apresentar condições que submetiam os idosos à condição de vida indigna”, destacou Dias.

'Ambiente inadequado'
Quando a polícia chegou para verificar se o prazo havia sido cumprido, uma funcionária estava levando as últimas três idosas para a casa de parentes. No local, além do prédio não possuir a acessibilidade adequada aos pacientes, foram constatadas situações que colocavam em risco a saúde dos idosos, como teto sem forro, cadeiras enferrujadas, mofo na cozinha e banheiros com mau cheiro.

“Além de irregularidades funcionais e estruturais do prédio, havia sujeira em todos os cantos que poderiam transmitir doenças, o ambiente com um odor terrível, as cadeiras e demais peças totalmente irregulares. Um ambiente totalmente inadequado”.

Ainda segundo o delegado, o número de funcionários da casa também era inapropriado para atender os idosos, principalmente porque havia cadeirantes e acamados. Seriam somente três: a cuidadora geral, a cozinheira e a dona.

A Polícia instaurou inquérito para averiguar a denúncia da Vigilância Sanitária, assim como o relato de que uma idosa teria sofrido fraturas dentro da casa. A dona do local será indiciada por maus-tratos, de acordo com o artigo 99 do Estatuto do Idoso. O caso também será denunciado ao Ministério Público.

Reformas
Na casa ‘Jesus Redentor’, a única funcionária encontrada para responder sobre as denúncias foi a enfermeira Denise do Nascimento. Ela negou a existência de maus-tratos ou condições impróprias para os idosos e afirmou que a Vigilância apontou apenas irregularidades em relação a reformas que foram feitas sem autorização.

“A Vigilância Sanitária veio para uma inspeção e depois falou que ia interditar, porque foram feitas obras sem aprovação e não havia documentos protocolados para poder funcionar como instituição de longa permanência para idosos. Mas a gente não entendeu tudo isso que aconteceu. Inclusive a Vigilância não falou nada sobre maus-tratos. No laudo está falando que a higiene é satisfatória. Não existem maus-tratos a idosos aqui. Não existe”, afirmou.

Ainda segundo ela, a casa teria nove funcionários e não apenas três , e estava suja porque eles estavam de mudança, diante da interdição. Denise disse também que a casa passará por reformas para atender à Vigilância e que os funcionários sairão de férias durante o período de obras.

Demora
Sobre a demora em interditar a casa de repouso, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que deu prazo para a proprietária corrigir as irregularidades e orientou a população a exigir licença de da Vigilância Sanitária antes de contratar os serviços da instituição. (EPTV)

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