Do G1- Pesquisadores do Observatório de Astronomia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru (SP) fotografaram a Nebulosa Trífida, uma nuvem que fica a milhares de anos-luz da Terra e que é conhecida por formar estrelas.

 

Os registros foram feitos na madrugada de 26 de maio, durante uma sessão no Museu do Café, em Piratininga (SP), mas divulgados apenas nesta sexta-feira (2).

A Trífida é uma região composta por gases, principalmente hidrogênio, e muita poeira. É em espaços como esse que surgem as estrelas. Isso porque, devido à força da gravidade, os gases se juntam, o que dá origem aos astros.

Segundo o professor Rodolfo Langhi, coordenador do observatório, já foram descobertas 120 estrelas recém-criadas e outras 30 em formação na nebulosa. Elas, no entanto, não são observadas em luz visível, porque estão imersas dentro da enorme nuvem de gases e poeira.

A nebulosa está a uma distância da Terra de aproximadamente 7.600 anos-luz, o que significa que a luz continuamente emitida por ela viaja no espaço durante todos esses anos até chegar nas lentes dos telescópios e das câmeras.

“É incrível pensar que a luz capturada pelas lentes saiu de lá há 7.600 anos”, diz Rodolfo.

De acordo com o docente, a Trífida é tão grande que a luz leva 42 anos para percorrê-la de um extremo ao outro - a título de comparação, a luz leva cerca de 8 minutos para percorrer a distância entre o Sol e a Terra.

“Por causa dessa enorme distância e do seu tamanho, ao ser fotografada pela câmera, ela parece ter o mesmo tamanho aparente da Lua Cheia na foto. Mas, por ser de fraco brilho, não é possível visualizá-la a olho nu”, explica.

Por se tratar de uma nebulosa de fraco brilho, os pesquisadores precisaram fazer 90 fotos de 30 segundos de tempo de exposição e depois reuni-las em uma única fotografia. O processamento, que não alterou as cores originais da foto, foi feito pelo estudante Guilherme Bellini.

Galáxia Centaurus A

Na mesma ocasião, os pesquisadores do Observatório conseguiram capturar a luz emitida por uma galáxia que fica a cerca de 14 milhões de anos-luz daqui: a Centaurus A.

“A incrível distância significa que a luz recebida pelas lentes saiu de lá há 14 milhões de anos. Por isso, não é possível sabermos a real aparência dessa galáxia nesse instante, pois a luz emitida por ela nesse momento vai demorar 14 milhões de anos para chegar até aqui. Sempre registramos, então, o passado remoto dessa galáxia”, explica Rodolfo.

A Centaurus A é chamada de radiogaláxia. Segundo o professor, ela leva essa terminologia porque emite ondas de rádio em alta intensidade, devido à existência de um buraco negro supermassivo em seu centro que absorve estrelas e matéria constantemente, o que provoca também uma forte emissão de raios-x.

Na foto, é possível ver um disco de poeira, local de formação de estrelas mais jovens, e o entorno, composto por estrelas vermelhas e mais velhas. “Os estudos indicam que essa galáxia é o resultado de uma interação entre duas pequenas galáxias, ou seja, uma ‘colisão’ galáctica”, diz Rodolfo.

Para fotografá-la, os pesquisadores usaram a mesma técnica de exposição utilizada na captura da Nebulosa Trífida. As cores das fotos também são reais e não receberam colorização artificial.