O que ratos adormecidos revelam sobre como nossa memória funciona
O que é memória, e quanta memória nós temos? Quando esquecemos algo, é porque uma nova memória "substituiu" uma memória existente ou estabelecida?
O personagem de animação Homer Simpson, da série de televisão americana Os Simpsons, certamente acreditava nisso.
"Toda vez que aprendo algo novo, isso empurra algumas coisas antigas para fora do meu cérebro", ele diz à sua esposa, Marge, em um episódio particularmente memorável. "Lembra quando fiz aquele curso de fabricação de vinho caseiro, e esqueci como dirigir?"
Mas os instintos de Homer não estão tão distantes da realidade quanto poderíamos imaginar. Existe um fenômeno conhecido como "esquecimento catastrófico", no qual o processo de consolidação de novas informações interfere ou "apaga" a memória existente.
Algo semelhante pode ser observado nas redes neurais digitais que alimentam a inteligência artificial (IA), que são modeladas com base no cérebro humano, mas que muitas vezes têm dificuldade de incorporar novos conjuntos de dados ao aprendizado existente.
Normalmente, nossos cérebros são melhores nisso, mas não entendemos bem por quê.
Pesquisadores da Universidade Cornell, nos EUA, acreditam ter feito um grande avanço na compreensão de como nosso cérebro gera memórias — e afirmam que suas descobertas vão poder ser usadas um dia não apenas para aprimorar a inteligência artificial, mas também para combater doenças degenerativas do cérebro, como o Alzheimer.
Tudo isso se resume ao que eles conseguiram ver pelos olhos de camundongos adormecidos.