'Ele merece', diz parlamentar que alegou ter sido chamado de vendido. Vítima de agressão em Franca não comenta caso, mas quer providências.

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Com um tapa na cara, um vereador revidou as declarações dadas por um marceneiro que acompanhava a sessão da Câmara de Franca (SP) nesta terça-feira (3). Luiz Vergara (PSB) agrediu o espectador enquanto ambos discutiam, logo depois que o parlamentar anunciou ser o novo líder da bancada de apoio ao prefeito Alexandre Ferreira (PSDB)

Após bater no marceneiro, de dentro da área reservada aos vereadores, o parlamentar virou as costas para o agredido e voltou para o plenário. A agressão fez com que os óculos do espectador voassem.

Vergara, que alegou ter sido acusado pelo homem de ter se vendido por sua decisão política, confirmou que o eleitor mereceu a agressão e registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil por ameaça e difamação. O agredido não quis dar entrevista ao G1, mas informou, por telefone, que analisa que providências tomará em relação ao ocorrido.

A Presidência da Câmara não confirmou, mas cogitou a possibilidade de a Comissão de Ética do Legislativo apurar a postura do parlamentar. Se isso acontecer, ele poderá sofrer sanções, dentre elas a perda do mandato, segundo o Legislativo.

'Ele merece', diz vereador
Vergara diz que começou a ser ofendido pelo marceneiro ainda enquanto falava da tribuna. Na mesma sessão, ele anunciou oficialmente que se tornou líder do prefeito de Franca na Câmara.

Ao terminar seu pronunciamento, o vereador foi até a galeria, em frente ao plenário, para atender uma mulher que o havia chamado. Em seguida, ele disse ter sido interrompido e abordado pelo cidadão que, segundo o parlamentar, perguntou por quanto ele havia se vendido para assumir seu apoio ao Executivo. Fato que o irritou e resultou na agressão.

"Ele estendeu o dedo e disse ‘o senhor valeu quanto?’. Isso também estava escrito nas redes sociais. Ele colocou em xeque minha idoneidade. Eu nunca me vendi e não tenho valor a ser pago, como ele sugeriu", afirmou.

Segundo Vergara, o mesmo homem já o havia provocado na semana anterior, ao mostrar-lhe notas de dinheiro enquanto ele discursava. "Chega uma hora que não tem como segurar a onda. Chegou a hora de dar um basta. Estou tranquilo em relação ao que aconteceu. Ele merece", disse.

'Tudo muito rápido'
A dona de casa Rejane Silva Barbosa, que conversava com o Vergara quando o homem se aproximou, contou que pediu calma aos dois. "[O cidadão] não estava nervoso, mas foi autoritário, agressivo. Ainda falei para Vergara não aceitar a provocação e tentei voltar para o assunto que estávamos conversando. Mas nisso ele foi questionado mais uma vez e já deu o tapa. Foi tudo muito rápido", lembrou.

Ainda segundo ela, o parlamentar avisou que bateria no homem caso ele continuasse a acusá-lo. "Eu não ouvi o homem fazer nenhum ofensa moral, o que ouvi foi ele questionar de forma agressiva. Tanto que na hora eu assustei. Não achei que o vereador fosse perder o controle."

Caso de polícia
Vergara informou ter registrado boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial de Franca por difamação e ameaça. No documento, ele relatou que vem sendo perseguido pelo cidadão com ofensas contra sua honra e dignidade, além de se sentir ameaçado física e moralmente. De acordo com ele, o agredido usou um perfil na internet para fazer as ofensas a ele. Outros colegas da Casa, segundo o vereador, também foram ofendidos.

“Nosso problema com ele não começou hoje. Ele vem provocando o Legislativo há mais de anos. Ele acha que pode xingar todo mundo", afirmou Vergara, que não acredita que receberá punições administrativas pelo ato.

Comissão de Ética
Por outro lado, o presidente da Câmara, Marco Antônio Garcia (PPS), confirmou que Vergara pode ser alvo de uma apuração por parte da Comissão de Ética do Legislativo.

"Infelizmente, o vereador não poderia ter perdido o ponto de equilíbrio. O que pode acontecer agora é qualquer cidadão ou parlamentar chamá-lo à Comissão de Ética, que ouvirá os dois lados. Entre as penalidades previstas, estão a advertência, uma suspensão ou até a cassação do mandato", explicou.

O agredido
Procurado pelo G1, o homem agredido pelo vereador não quis dar entrevista, mas disse que não definiu que providências vai tomar sobre o caso. (G1)