A psicóloga norte-americana Emily Anhalt acredita que podemos – e devemos – treinar nossa mente como fazemos com o corpo. Tanto que é cofundadora da Coa, uma “academia” dedicada a desenvolver a aptidão emocional. “Hoje há menos estigma, as pessoas falam abertamente que estão enfrentando transtornos mentais, e os mais jovens não se envergonham”, afirmou em entrevista on-line. Também acaba de lançar “Flex your feelings: train your brain to develop the 7 traits of emotional fitness”, o equivalente a “Flexione os sentimentos: treine seu cérebro para desenvolver os 7 atributos da aptidão emocional”. Nesse caso, o verbo flexionar é usado como uma metáfora para “malhar os músculos” da mente.

Aqui estão os sete atributos:

Atenção plena (mindfulness): não se dispersar e saber avaliar seus sentimentos. Segundo ela, é “sentir-se confortável com o desconforto interno”.
Curiosidade: trocar a postura defensiva pela abertura para o novo e para o crescimento. “Peça feedback às pessoas, pergunte no que pode melhorar”, recomenda.
Autoconsciência: reconhecer suas forças e fraquezas emocionais, os gatilhos que o/a desestabilizam, as ideias preconcebidas (que todos temos).
Resiliência: recuperar-se diante dos fracassos e dificuldades. “Ninguém volta a ser quem era antes, mas o objetivo é trabalhar para que sejamos mais fortes dali para a frente”, explica.
Empatia: entender as emoções dos outros, colocando-se em seu lugar.
Comunicação: expressar necessidades, expectativas e limites. Anhalt destaca a importância de também ser um bom ouvinte: “as pessoas querem a presença e a empatia dos outros, e não conselhos”.
Espírito lúdico: sua definição para essa característica é “ser alguém que abraça o ‘sim’ e o ‘com’, alimentando as possibilidades e aprofundando conexões. Aproxime-se, faça perguntas para quebrar o gelo”. Para facilitar, criou uma lista com coisas como: “o que foi mais importante para você no Ensino Médio?”; “qual seria o título da sua autobiografia?”; “preferiria passar um dia com seu eu mais jovem ou mais velho?”.
Gostei especialmente dos conselhos que deu para todos os ansiosos e ansiosas, que costumam ruminar os problemas sem parar. Ela garante que sempre se vale dessas duas estratégias:

Encontrado em quase tudo, desde barrinhas de proteína a energéticos, o eritritol é considerado há muito tempo uma alternativa saudável ao açúcar.

Mas, uma nova pesquisa sugere que esse adoçante amplamente utilizado pode estar comprometendo silenciosamente uma das barreiras mais importantes do nosso corpo, com possíveis consequências sérias para a saúde do coração e risco de acidente vascular cerebral (AVC).

Um estudo recente da Universidade de Colorado indica que o eritritol pode danificar células da barreira hematoencefálica — um "sistema de defesa" do cérebro responsável por impedir a entrada de substâncias nocivas enquanto permite a entrada de nutrientes essenciais.

Os resultados reforçam preocupações apontadas em estudos anteriores, que haviam observado uma relação entre o consumo de eritritol e o aumento de casos de infarto e AVC.

Nesse novo experimento, pesquisadores expuseram células da barreira hematoencefálica a níveis de eritritol semelhantes aos encontrados no sangue após o consumo de uma bebida adoçada com esse componente.

O resultado foi uma reação em cadeia de danos celulares que pode deixar o cérebro mais vulnerável à formação de coágulos sanguíneos, levando a um AVC.

Infarto e AVC

O eritritol desencadeou o que os cientistas chamam de estresse oxidativo — uma sobrecarga de moléculas altamente reativas, conhecidas como radicais livre, que danificam as células enquanto reduzem as defesas antioxidantes naturais do corpo.

 

Esse ataque duplo comprometeu a habilidade das células de funcionar normalmente e, em alguns casos, levou à morte celular.

Mas talvez o mais preocupante sejam os efeitos do eritritol sobre a capacidade dos vasos sanguíneos de regular o fluxo de sangue.

Em condições normais, os vasos funcionam como controladores de tráfego: se dilatam quando os órgãos precisam de mais sangue — durante exercícios, por exemplo — e se contraem quando a demanda de sangue diminui.

Esse equilíbrio delicado é alcançado por meio de duas moléculas importantes: o óxido nítrico, que relaxa os vasos sanguíneos, e a endotelina-1, que os contrai.

O estudo mostrou que o eritritol desregula esse sistema essencial, reduzindo a produção de óxido nítrico e aumentando os níveis de endotelina-1.

Isso faz com que os vasos sanguíneos permaneçam perigosamente contraídos, o que pode levar à falta de oxigênio e de nutrientes no cérebro.

Esse desequilíbrio é um indicador de risco para AVC isquêmico, causado por coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo no cérebro.

Ainda mais alarmante, o eritritol parece sabotar a defesa natural do corpo contra coágulos.

Normalmente, quando um coágulo se forma nos vasos sanguíneos, as células liberam um composto chamado ativador do plasminogênio tecidual (tPA), que dissolve o bloqueio antes que ele cause um derrame.

Mas o adoçante inibiu esse mecanismo de proteção, permitindo que os coágulos progridam sem controle.

Tomar café da manhã depois das 9h pode afetar o equilíbrio hormonal e aumentar o risco de doenças metabólicas, como o diabetes tipo 2.

Estudos mostram que quem toma café da manhã mais cedo tem menor risco de resistência insulínica, obesidade e síndrome metabólica. Além disso, o horário da primeira refeição influencia diretamente os níveis de cortisol — hormônio ligado ao estresse e à regulação da energia — e o funcionamento do relógio biológico.

O cortisol é um hormônio que tem um pico nos primeiros 30 a 45 minutos após o despertar e queda gradual ao longo do dia. O pico ajuda a pessoa a se sentir alerta e aumenta ligeiramente a glicose para fornecer energia através da mobilização dos estoques energéticos.

 Durante um jejum prolongado, os níveis de insulina diminuem e o corpo começa a usar estoques de gordura como fonte de energia. Isso pode melhorar a sensibilidade à ação da insulina e reduzir os níveis de açúcar e gordura no sangue.

Mas o horário do jejum importa. Comer muito tarde (café da manhã e/ou jantar) e pular o café da manhã pode desalinhar o relógio biológico e contribuir para distúrbios metabólicos, segundo o médico endocrinologista Fernando Valente.

O que é o cortisol e por que ele importa de manhã?

Cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, que têm várias funções, como regular o metabolismo, modular os níveis de açúcar no sangue, de pressão arterial e de inflamação, tendo uma influência direta no ciclo sono-vigília. Ele é responsável pelo ânimo, pelo vigor, pelo foco e tem uma função positiva na imunidade.

“Embora seja conhecido como o ‘hormônio do estresse’, ele é essencial para manter a nossa energia, foco, imunidade e metabolismo em equilíbrio. Afinal, o ‘estresse’ de forma equilibrada nos promove movimento, ação e nos tira da inércia”, explica a nutricionista clínica e comportamental e terapeuta integrativa Adriana Loyola.

O pico matinal do cortisol é saudável e necessário, porque ele nos ajuda a liberar glicose para gerar energia, melhora a concentração, e até influencia positivamente o humor e a motivação.

Qual a relação entre jejum prolongado, glicose e saúde metabólica?
Valente explica que comer muito tarde (café da manhã e/ou jantar) e pular o café da manhã pode desalinhar o relógio biológico e contribuir para distúrbios metabólicos.

O metabolismo humano é mais eficiente pela manhã e comer nas primeiras horas do dia – antes das 9h, principalmente – melhora a regulação da glicose, de insulina e do apetite ao longo do dia, destaca a médica endocrinologista Daniela Fernandes.

Valente defende que o ideal é tomar café da manhã cedo (antes de 8 horas). Isso se alinha ao pico de cortisol e, de acordo com alguns estudos, pode reduzir o risco de obesidade, diabetes e doenças metabólicas. Entre 7 e 8 horas o corpo está mais preparado para metabolizar os nutrientes de forma eficiente, segundo o médico.

Loyola afirma que mais importante do que comer de 3 em 3 horas ou fazer jejum é a constância do número de refeições do dia, calorias e meta proteica que o indivíduo faz durante o longo prazo.

Há risco real de desenvolver doenças por tomar café tarde?
Estudos da crononutrição mostram que postergar o café da manhã para depois das 9h da manhã está associado a um aumento do risco de resistência à insulina e alterações na regulação da glicose. Isso acontece porque o corpo é mais sensível à insulina nas primeiras horas do dia, e ignorar essa janela pode desorganizar o ritmo circadiano e gerar estresse metabólico, explica Loyola.

Além disso, quem atrasa muito a primeira refeição tende a concentrar a ingestão calórica mais para o final do dia, o que também está ligado ao aumento de peso, inflamação e desregulação hormonal — fatores que favorecem o desenvolvimento do diabetes.

“Isso não significa que todo café da manhã tardio será prejudicial. Mas para pessoas com tendência à hipoglicemia, histórico familiar de diabetes ou que já apresentam resistência à insulina, atrasar demais a alimentação pela manhã pode piorar o quadro”, diz Loyola.

Valente afirma que tomar o café da manhã tarde pode resultar em desalinhamento do ritmo circadiano, maior risco de obesidade, diabetes, hipertensão, outras doenças metabólicas e até doenças cardiovasculares.

Estudos têm mostrado que o jejum intermitente faz a pessoa emagrecer, mas ocorre também uma grande perda de massa magra, o que não é bom para um emagrecimento saudável.

Uma pesquisa publicada em 2020 por cientistas da Universidade da Califórnia em uma das mais renomadas revistas de medicina, a "Jama International Medicine", mostrou que, apesar da perda de peso na balança das pessoas submetidas ao jejum, o maior volume perdido era de massa magra e não de gordura.

Um estudo feito pelo Departamento de Fisiologia e Biofísica da Universidade de São Paulo (USP) também encontrou o mesmo resultado. A pesquisa foi feita em ratos e comparou os animais em jejum intermitente com os que recebiam livre alimentação. Ao fim de 12 semanas, a pesquisa descobriu que houve, sim, redução de peso entre quem fazia jejum, mas com aumento da reserva de gordura. Ainda foi identificado como alerta para o longo prazo a sobrecarga do pâncreas.

Notícias ruins sobre o clima estão por toda parte. A África está sendo particularmente atingida pelas mudanças climáticas e eventos climáticos extremos, impactando vidas e meios de subsistência.

Vivemos em um mundo que está aquecendo em uma taxa mais rápida desde o início dos registros. No entanto, os governos têm agido lentamente.

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) está a poucos meses de distância. Todos os 197 países membros das Nações Unidas deveriam ter apresentado planos climáticos nacionais atualizados à ONU até fevereiro deste ano. Esses planos descrevem como cada país reduzirá suas emissões de gases de efeito estufa em conformidade com o Acordo de Paris, um tratado internacional legalmente vinculativo. Este acordo compromete todos os signatários a limitar o aquecimento global causado pelo homem a não mais de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

 Os governos também devem levar seus planos de ação climática nacionais recém-atualizados para a COP30 e mostrar como pretendem se adaptar aos impactos que as mudanças climáticas trarão.

Mas, até agora, apenas 25 países, que respondem por cerca de 20% das emissões globais, apresentaram seus planos, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas.

Na África, são eles a Somália, a Zâmbia e o Zimbábue. Isso deixa 172 ainda por vir.

As contribuições nacionalmente determinadas são muito importantes para estabelecer os compromissos de curto a médio prazo dos países em relação às mudanças climáticas. Elas também fornecem uma direção que pode informar decisões políticas e investimentos mais amplos. Alinhar os planos climáticos com os objetivos de desenvolvimento poderia tirar 175 milhões de pessoas da pobreza.

Aquela preguiça de levantar da cama no inverno tem explicação científica. É que, em épocas mais frias, a temperatura corporal também diminui e o organismo passa a priorizar funções internas essenciais.

Nosso corpo precisa produzir mais calor e gastar mais energia para manter a temperatura, o que eleva o chamado gasto energético basal. Por isso, mesmo sem fazer muito esforço, o organismo consome mais energia.

O resultado: mais sono, menos disposição e uma vontade constante de ficar embaixo das cobertas.

Além disso, os dias mais curtos influenciam no ritmo circadiano -- ritmo biológico que orienta o corpo no sono e na alimentação.

 Com menos exposição ao sol, o corpo reduz a liberação de serotonina, hormônio ligado ao bem-estar e ao humor. Isso pode provocar desânimo e impactar diretamente na disposição. E essa redução tende a deixar as pessoas mais desanimadas e menos dispostas ao longo do dia.

“A temperatura mais baixa reduz a vasodilatação periférica e a sensação de ‘alerta’, favorecendo um estado de economia de energia. Em termos evolutivos, é um mecanismo de proteção — recolher-se para preservar calor e energia vital”, acrescenta a médica nutróloga Camila Ciancio.

No frio, o corpo precisa produzir mais calor para se manter aquecido. Para isso, o cérebro (mais precisamente o hipotálamo) dá um sinal para liberar hormônios que ativam a tireoide. Essa ativação aumenta a produção de calor — um processo chamado termogênese.

Preservar a massa muscular pode influenciar diretamente nos resultados do tratamento do câncer de mama. É o que revela um estudo da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP), que avaliou mulheres com a doença em estágio inicial.

A pesquisa mostrou que pacientes com menor quantidade de massa muscular no momento do diagnóstico, tiveram piores desfechos de saúde e menor taxa de sobrevida em relação àquelas com massa preservada.

Segundo os pesquisadores, avaliar a composição corporal pode ajudar a orientar intervenções precoces e personalizadas.

O estudo, realizado ao longo de cinco anos, avaliou 54 mulheres diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial. Antes de iniciarem a quimioterapia ou radioterapia, todas passaram por exames que analisam a composição corporal, como a bioimpedância, e também por tomografias para monitoramento da doença.

Um dos focos foi o ângulo de fase, dado obtido pela bioimpedância que avalia a integridade das membranas celulares e está diretamente ligado à massa muscular.

“Esse dado vem ganhando destaque na literatura científica e se correlacionou com a perda de massa muscular. Pacientes com menor ângulo de fase já no diagnóstico apresentaram pior integridade celular e maior mortalidade após cinco anos”, explica a pesquisadora Mirele Savegnago Mialich Grecco, coordenadora do estudo.

O cardiologista Eric Topol acaba de lançar “Super agers: an evidence-based approach to longevity” (“Os super-velhos: uma abordagem da longevidade baseada em evidências”, em tradução livre). Ele se refere a idosos que passaram dos 80 anos com saúde, enquanto a maioria lida com pelo menos duas doenças crônicas. Fundador do Scripps Research Translational Institute, o médico e cientista chefiou pesquisadores que sequenciaram o genoma de 1.400 desses indivíduos que parecem não sentir a passagem do tempo. Foram batizados de “wellderly” – uma fusão das palavras bem e velho, ou seja, aqueles que parecem imunes ao declínio físico. Não foram achadas diferenças significativas entre eles e seus companheiros de geração, mas o grupo era consistentemente mais ativo, tinha conexões sociais e um nível de escolaridade maior.

Se não se tratava de uma carga genética favorável, qual o segredo desses longevos? “Eu poderia dizer que eles têm sorte, mas seria simplificar demais”, explicou em palestra on-line que acompanhei. “Na verdade, são pessoas cujo sistema imunológico tem grande resiliência e os protege das doenças”, completou.

Autor de mais de 1.300 artigos científicos, Topol vê com reservas o boom do mercado antienvelhecimento: “A ciência é encorajadora e temos avanços no campo da reprogramação epigenética, mas também há clínicas nas quais as pessoas gastam dezenas de milhares de dólares com câmaras hiperbáricas, tratamentos com células-tronco e suplementos sem o devido respaldo científico”, critica.

Enfatiza que o objetivo das políticas públicas de saúde deveria ser reduzir o risco de desenvolver as três condições mais comuns e associadas ao envelhecimento: câncer, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas. É onde entra a medicina preventiva de precisão. O cardiologista aprova o desenvolvimento dos chamados “organ clocks” (relógios biológicos específicos para cada órgão) – na prática, testes com biomarcadores capazes de detectar enfermidades antes do surgimento dos sintomas.

Você talvez já tenha ouvido falar em microplásticos. A palavra remete a “plásticos pequenos”, o que não está longe da verdade. Mas quão pequenos são? Como se formam? Onde estão? Quais riscos oferecem?

Microplásticos e seu tamanho
Microplásticos são partículas plásticas com diâmetro entre 1 e 1000 µm (1 mm), e podem chegar a tamanhos inferiores a 0,1 µm (0,0001 mm), sendo então chamados de nanoplásticos. Nessa escala, a área superficial aumenta muito, intensificando sua reatividade e impacto ambiental.

Para comparar, areia grossa tem tamanho similar ao dos microplásticos. Já os nanoplásticos são menores que a espessura de um fio de cabelo (50–100 µm). Visualmente, uma formiga poderia representar um microplástico diante de uma garrafa PET (polietileno tereftalato), enquanto um vírus ilustraria um nanoplástico, conforme ilustrado na figura abaixo.

Uma pesquisa realizada no Brasil indica que a suplementação de vitamina D pode, no futuro, reforçar o tratamento contra o câncer de mama.

Ao avaliar um grupo de voluntárias diagnosticadas com a doença, os cientistas descobriram que tomar esse hormônio esteve relacionado a uma maior taxa de desaparecimento do tumor (entenda os detalhes ao longo da reportagem).

Além de atuar na manutenção da saúde dos ossos e do sistema imunológico, a vitamina D teria o potencial de se ligar diretamente a receptores de células cancerosas e pode impedir a disseminação delas, apontam os especialistas.

Os autores do trabalho se mostraram animados com os resultados e entendem que eles podem modificar a forma como essa enfermidade será tratada no futuro.

Mas eles mesmos ponderam que são necessários novos estudos, com um número maior de pacientes, para confirmar esses achados iniciais.

Como o estudo foi feito
A investigação foi conduzida na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no interior de São Paulo.

Foram recrutadas 80 mulheres com mais de 45 anos diagnosticadas com câncer de mama.

Alguns sentem primeiro as orelhas geladas, outros, as mãos. Cada um sente frio de um jeito diferente, confirma Joachim Latsch, especialista em medicina esportiva da Faculdade de Esportes de Colônia, na Alemanha. Sensores na pele são responsáveis por registrar a temperatura e determinar nossa sensação de frio ou calor.

Algumas pessoas têm mais sensores nas orelhas, enquanto em outras, eles se concentram em lugares diferentes do corpo. A quantidade de sensores também é variável, fazendo com que cada um perceba as baixas temperaturas de maneira diferente.

Latsch descreve o fenômeno como uma vontade da natureza. “Assim como cada pessoa tem o pé de um tamanho, alguns de nós têm mais desses sensores, outros, menos", explica. Aliás, um sensor que identifica o frio só é capaz de detectar temperaturas baixas. Ele não dá o alerta de calor.

Por Mariza Tavares/G1

No mês passado, fiz uma coluna sobre a aptidão para o estresse, tese defendida pela psicóloga Elissa Epel: em vez de fugir das situações que nos causam desconforto, devemos procurar desafios que nos tornem mais preparados para superar as adversidades. A médica Sharon Bergquist, professora da faculdade de medicina da Emory University (EUA), que acaba de lançar o livro “O paradoxo do estresse: por que você precisa do estresse para viver mais, com saúde e felicidade” (“The stress paradox: why you need stress to live longer, healthier, and happier”), endossa a prática:

“O estresse causa dano, mas também cura. Um certo nível de estresse diminui nossa idade biológica, e esse é o paradoxo. Como médica, acompanhei muitos executivos e uma questão que sempre vinha à tona era: ‘será que devo desacelerar?’. Apesar da carga de trabalho, essas pessoas eram apaixonadas pelo que faziam. Quando nos envolvemos em atividades que nos estimulam, alimentamos nossa resistência e desenvolvemos resiliência”.

A pesquisadora afirma que o estresse ganhou uma reputação negativa a partir da década de 1930, depois que o endocrinologista Hans Selye apresentou sua teoria da Síndrome de Adaptação Geral, que descreve as reações fisiológicas do corpo ao estresse em três fases: alarme, resistência e exaustão – quando o esgotamento aumenta o risco de doenças.

“O problema é que Selye submetia as cobaias a um nível excessivo de sofrimento, o que contribuiu para a demonização do estresse. O segredo está em encontrar o ponto ideal, aquele que nos impulsiona sem nos sobrecarregar. Pensem num U invertido, no qual muito estresse é prejudicial, mas sua ausência também não é benéfica. Num nível moderado, ele estimula as conexões entre nossos neurônios”, enfatizou em palestra on-line.

Ela destaca o conceito da hormese, descrito pela primeira vez pelo farmacologista Hugo Schulz, segundo o qual uma baixa exposição a toxinas e outros estressores é favorável para o organismo, porque impulsiona os mecanismos de defesa. No entanto, faz a ressalva de que há uma variação expressiva entre os indivíduos e nossa tolerância está diretamente relacionada ao que fomos submetidos na primeira infância e em experiências negativas ao longo da vida.

Que a alimentação exerce um papel fundamental na nossa saúde não é novidade — embora muitas vezes a gente esqueça disso. O objetivo de comer bem não deve ser apenas emagrecer ou evitar o ganho de peso, mas sim viver mais e com qualidade. Por isso, manter padrões alimentares consistentes ao longo da vida é tão importante. 

Agora, um novo macroestudo publicado nesta semana na revista Nature Medicine revela oito padrões-chave que tornam uma dieta capaz de favorecer um envelhecimento saudável.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Harvard em parceria com as universidades de Copenhague e Montreal, vai além de confirmar que o tipo de alimentação tem influência decisiva na saúde. Ele identifica hábitos alimentares específicos que, além de prevenir doenças crônicas não transmissíveis, promovem de forma eficaz um envelhecimento mais saudável para a população em geral.